Até a Ryanair nos enganou, quando comentou a imagem que a equipa italiana escolheu para testemunhar o voo dos “azzurri” para o Luxemburgo, onde Silvio Baldini tentou projetar uma imagem diferente do futebol italiano.
A estratégia parecia clara: tentar recuperar a empatia perdida, apresentando-se como uma equipa unida, que superava as dificuldades com a força do grupo, mas também individualmente, com os seus talentos.
O regresso de Roberto Mancini à base, com um anúncio que evocava o tempo em que o treinador, por vezes contra a vontade, se mostrava como um exemplo para os seus jogadores, parece ter dado o seu fruto. Uma escolha que a direção técnica parece ter feito, confiando no “sentimento” que o seu treinador sabia transmitir, algo que nunca foi verdadeiramente alcançado, exceto em momentos de maior sucesso.
Uma estratégia que, no entanto, corre o risco de não ser suficiente. A equipa, de facto, parecia muito menos compacta do que o esperado. Em particular, o ataque parecia sofrer com a ausência de ideias e de dinamismo. A defesa, por outro lado, mantinha-se no seu lugar, mas sem a serenidade necessária para um verdadeiro duelo.
O adversário, ainda que de menor calibre, demonstrou que a equipa italiana precisava de muito mais para poder aspirar a vencer. A exibição foi, de facto, decepcionante, e os jogadores mostraram-se longe do seu melhor, sem a necessária aplicação e determinação.
Os resultados, depois, não ajudaram. O último lugar no grupo, com o consequente afastamento do Mundial, foi a gota de água. A comunicação social, que tinha até agora tentado defender a equipa com unhas e dentes, foi forçada a rever a sua posição.
É inegável que, em Itália, o futebol é muito mais do que um desporto. É uma questão de paixão, de orgulho, de identidade. Por isso, quando a equipa não responde às expectativas, a deceção é ainda maior.
E, neste caso, a deceção foi dupla. Por um lado, a deceção de um sonho que se desvanece, a de poder ver a equipa a disputar o Mundial. Por outro lado, a deceção de constatar que a retórica utilizada pelos media e pela direção técnica não correspondia à realidade.
A equipa, que parecia destinada a grandes feitos, acabou por revelar-se fraca e desorganizada. Uma deceção que, esperamos, sirva de lição para o futuro. Para que, no futuro, a comunicação social seja capaz de retratar a realidade do futebol italiano, sem cair na tentação de criar ilusões que, a longo prazo, só fazem mal.
