A decisão do governo de Pedro Sánchez de restringir o uso de bases militares espanholas pelos Estados Unidos, um aliado-chave, gerou uma controvérsia significativa. Esta medida surge num contexto de crescente tensão entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, e provocou reações contundentes na esfera internacional, particularmente em Washington.
Após a proibição da Moncloa de utilizar as instalações de Rota e Morón, figuras influentes de Washington expressaram a sua preocupação. O senador republicano Lindsey Graham criticou o governo socialista, classificando-o como um exemplo de “liderança europeia pateticamente fraca que perdeu o rumo”. Por sua vez, o jornalista Marc Thiessen, conhecido pela sua proximidade com Donald Trump, chegou a propor a expulsão da Espanha da NATO.
Donald Trump, dias depois, atacou a Espanha, descrevendo-a como um “aliado terrível” e ameaçando com um corte total do comércio. O chanceler alemão, Friedrich Merz, acrescentou que a Espanha deveria cumprir o seu compromisso de 5% de despesa em defesa.
Historicamente, o PSOE tem mantido uma relação complexa com alianças militares como a NATO e o uso de bases. Governos socialistas anteriores, como o de Felipe González, acabaram por não retirar a Espanha da NATO nem fechar as bases militares. Mais tarde, Rodríguez Zapatero retirou tropas do Iraque, mas também enfrentou pressões internacionais para aplicar cortes.
Sob a presidência de Pedro Sánchez, a postura tem mostrado flutuações. Após receber George Soros e acolher uma cúpula da NATO em 2022, foi assinado um acordo para implantar dois destróieres adicionais da Marinha norte-americana em Rota em 2023, uma decisão que não foi submetida a votação no Congresso. No entanto, no contexto atual das operações no Médio Oriente, o seu governo impôs restrições que não foram vistas em campanhas anteriores, como a “Guerra dos Doze Dias” contra o Irão.
O artigo sugere que as motivações por trás desta recente decisão de Sánchez são fundamentalmente políticas. Especula-se que busca provocar uma reação negativa de Donald Trump, como um tuíte crítico, para utilizá-lo como ferramenta eleitoral, posicionando-se como o defensor contra um suposto “fascismo” e garantindo votos em futuras eleições gerais sob o lema “Ou Sánchez ou Trump”.
Até o momento, Trump optou por criticar a Espanha de forma geral, sem se dirigir diretamente a Sánchez. O texto sublinha que as ações na política internacional têm consequências duradouras para as nações, para além da duração dos governos. Argumenta-se que as decisões atuais de Sánchez poderão acarretar repercussões significativas para a Espanha.
Antecipa-se que os Estados Unidos, Israel, a NATO e a União Europeia poderão fortalecer o seu alinhamento com Marrocos. Considera-se que Marrocos, sob a sua atual monarquia, oferece uma maior estabilidade para a segurança do estreito de Gibraltar do que uma Espanha percebida como “idiotizada” por políticas governamentais criticadas, como a regularização de imigrantes ilegais, que, segundo o texto, procuram assegurar votos à custa da prosperidade e da coesão nacional.
Esta situação recorda o quinquagésimo aniversário da retirada espanhola do Saara, onde uma Espanha hesitante se confrontou com um Marrocos forte. No passado, o rei Mohammed VI conseguiu que Sánchez mudasse a sua postura sobre o Saara Ocidental, passando de apoiar um referendo de autodeterminação a aceitar a autonomia sob soberania marroquina. O artigo especula que Marrocos poderá aproveitar a atual conjuntura para reclamar a Washington outras posses espanholas, como Ceuta, Melilla, o arquipélago das Chafarinas, o rochedo de Vélez de la Gomera, o monte submarino Tropic, o espaço aéreo e a ilha de Alborán.
Concluindo com o adágio diplomático “Ou estás à mesa ou estás no menu”, o texto afirma que as ações de Sánchez colocaram a Espanha numa posição vulnerável no tabuleiro internacional, colocando o interesse do país em risco para manter a sua posição no governo.
