O conflito no Oriente Médio entre Irã, Israel e Estados Unidos tem-se agravado, cobrando um número crescente de vidas, incluindo o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e proeminentes membros do exército e governo iraniano. A resposta do Irã aos ataques dos EUA e Israel tem sido uma série de lançamentos de mísseis e drones contra cidades israelitas e bases militares americanas na região, elevando consideravelmente a tensão.
A Comissão Europeia manifestou a sua profunda preocupação com a expansão do conflito, declarando que a União Europeia está preparada para salvaguardar os seus interesses e lembrando à administração de Donald Trump os seus compromissos. A comunidade internacional observa atentamente como a situação poderá impactar em países como a Espanha.
Desenvolvimentos Chave e Reações Internacionais:
Reações Regionais e Europeias
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE elogiaram os países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) pelo seu compromisso de não permitir o uso dos seus territórios para lançar ataques contra o Irã. Isso contrasta com o debate interno em Espanha sobre a recusa em permitir que os EUA utilizem as suas bases para operações contra Teerã. Entretanto, Chipre suspendeu todas as reuniões da UE previstas para março devido à instabilidade. A Itália também anunciou o envio de navios da Marinha e equipamentos de defesa antidrones e antimísseis para Chipre e para os países do Golfo que solicitaram apoio, colaborando com Espanha e França.
Novos Ataques e Ameaças Iranianas
O Ministério da Defesa do Catar informou sobre a interceção de uma nova onda de mísseis iranianos, com explosões relatadas em Doha e colunas de fumo observadas na base militar americana de Al Udeid. Israel registou pelo menos 13 impactos diretos de mísseis iranianos. O Irã também afirmou ter o controlo do estreito de Ormuz, advertindo que os navios que não cumprirem os protocolos poderão ser atacados. Além disso, a Guarda Revolucionária iraniana declarou ter atacado um petroleiro americano no norte do golfo Pérsico, embora os EUA não tenham confirmado o incidente. O Irã ameaçou atacar as instalações nucleares israelitas em Dimona se os EUA e Israel tentarem uma “mudança de regime”.
Incidentes com Drones e Mísseis
O governo britânico esclareceu que um drone tipo Shahed que impactou na base da RAF Akrotiri em Chipre não foi lançado do Irã. A Turquia, membro da OTAN, confirmou a interceção de um míssil iraniano no seu espaço aéreo, o que poderá invocar o Artigo 5 do Tratado da OTAN sobre defesa coletiva. O Azerbaijão também denunciou um ataque com drones contra o seu enclave de Nakhchivan, atribuindo-o ao Irã, embora o Irã tenha negado atacar os seus vizinhos. Foi revelado que uma unidade espanhola da OTAN na Turquia detetou e alertou sobre o míssil iraniano que depois foi abatido por um destróier americano.
Posição da Espanha no Conflito
A Espanha enviou a fragata ‘Cristóbal Colón’ para Chipre, juntamente com navios franceses e gregos, para trabalhos de proteção e defesa aérea, e para possíveis evacuações. A Ministra da Defesa, Margarita Robles, defendeu esta decisão como uma medida defensiva no quadro europeu, negando que a Espanha entre em guerra e rejeitando “lições de ninguém” sobre os seus compromissos com a paz, em resposta a críticas externas. Enquanto Yolanda Díaz (Sumar) avalizou a ação, o Podemos a rejeitou por considerá-la participação numa guerra “ilegal” iniciada por Donald Trump. O BNG criticou o governo pela duração da sua “dignidade não intervencionista”. O Ministro dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Albares, defendeu a “decisão soberana” da Espanha de não permitir o uso das bases de Rota e Morón pelos EUA para operações ofensivas, negando que o governo esteja isolado. Apesar disso, um avião militar americano C-17 descolou de Rota em direção à Sicília. Os 171 espanhóis que estavam retidos em Omã já foram repatriados.
Reações de Outros Atores
O secretário-geral do PP, Miguel Tellado, criticou duramente o governo espanhol, acusando-o de uma “farsa” e de usar a política internacional para desviar a atenção de problemas internos. A presidente da Comunidade de Madrid, Isabel Díaz Ayuso, acusou o PSOE de “alimentar” a Guerra Civil espanhola e de ser permissivo com o Irã. A Rússia culpou os EUA e Israel por tentarem envolver países árabes e por provocarem o Irã, embora tenha negado ter recebido pedidos de ajuda militar de Teerã. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, assegurou que a Itália “não está em guerra e não pretende entrar nela”. O secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, confirmou um apoio “massivo” dos aliados à ofensiva dos EUA contra o Irã, destacando o “apoio habilitador chave” da Espanha.
Crise Humanitária e Cibersegurança
O Irã sofreu um apagão de internet que superou as 120 horas, mantendo a conectividade em torno de 1% do seu nível normal. O comissário de Migração e Assuntos Internos da UE, Magnus Brunner, indicou que, por enquanto, não se registam movimentos migratórios significativos do Irã.
Economia
Os preços do petróleo e do gás continuam a subir perante a escalada do conflito e as dificuldades para o trânsito pelo estreito de Ormuz, uma via crucial para o comércio energético mundial. O Paquistão assegurou ter reservas suficientes de combustível.
Outros Incidentes
O Irã acusou os EUA de “atrocidade” por afundarem uma fragata iraniana perto do Sri Lanka com um torpedo, e a Marinha do Sri Lanka recuperou mais de 80 corpos do navio. As futebolistas da seleção iraniana romperam o seu silêncio e entoaram o hino nacional num gesto de protesto pela “liberdade no Irã”. Um grupo de iranianos em Madrid agradeceu a Israel e aos EUA pelas ações contra o regime.
