Dinheiro: Mulheres à Prova de Uma Vida Mais Longa (e Frequentemente Mais Frágil)

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Na França, o tema do dinheiro continua sendo um tabu, especialmente para as mulheres. Sibylle Le Maire, diretora executiva da Bayard e fundadora do Club Landoy e da Vives média, destacou que “o dinheiro não é um critério estruturante na carreira das mulheres. No momento, elas pensam estar fazendo uma escolha razoável, mas pagam o preço mais tarde. Isso é miopia financeira.” Ela acrescenta que, embora as mentalidades estejam evoluindo, o fazem mais lentamente do que as reformas, deixando a emancipação econômica e financeira das mulheres como uma promessa ainda não totalmente cumprida.

De acordo com o Barômetro “Mulheres e Dinheiro” da Vives média, apenas 29% das mulheres se sentem confortáveis para negociar seu salário em uma entrevista de emprego (contra 48% dos homens). Essa diferença de atitude não é superada posteriormente. O mesmo percentual (29%) é observado quando as mulheres já estão empregadas e precisam renegociar seu salário, mesmo após anos de experiência. No que diz respeito à obtenção de uma promoção, a lacuna entre mulheres e homens é menor, mas ainda persiste (41% contra 53%).

A maternidade é outro fator crucial que acentua as disparidades profissionais entre homens e mulheres. 69% das mulheres acreditam que essa fase da vida penaliza sua carreira (estagnação salarial, exclusão de projetos importantes, falta de oportunidades de ascensão hierárquica, etc.). “As executivas de alto escalão também não escapam a essa dinâmica”, observa a diretora do grupo Bayard. Além disso, mais da metade das mulheres (58%) avalia que o cálculo das pensões de aposentadoria não considera adequadamente o fato de terem tido e criado filhos. Sem contar que elas também ocupam mais frequentemente empregos precários (contratos de prazo determinado, meio período).

Pouco Investimento no Futuro

Essas diferenças entre os sexos, especialmente salariais, levam as mulheres a poupar menos e, consequentemente, a investir menos. No entanto, elas demonstram uma excelente capacidade de acompanhar suas finanças pessoais, gerenciar um orçamento familiar e economizar o pouco que possuem (68%). Principalmente para cobrir necessidades futuras (ligadas à saúde) ou para a aposentadoria (39%). Contudo, elas têm menos o hábito que os homens de investir no futuro, seja através, por exemplo, de uma compra imobiliária (17%), do financiamento dos estudos dos filhos (17%), ou da realização de um projeto empresarial (4%).

A maioria delas (69%) prefere investimentos seguros, mesmo que o rendimento seja baixo. Apenas uma minoria (11%) aceita algum risco de perda de capital em troca de um rendimento potencialmente maior. Françoise Neige, diretora de gestão de fortunas da Natixis Wealth Management, explica que “as mulheres poderiam investir em ativos dinâmicos sem comprometer a segurança de seu patrimônio e/ou poupança. Tudo é uma questão de dosagem, diversificação e horizontes de investimento”. A consequência? Os homens são três vezes mais propensos a investir na bolsa de valores (23% contra 8% das mulheres). Os gêneros também se distinguem pelos produtos financeiros que possuem: as mulheres têm contas bancárias pessoais (80%) ou cadernetas de poupança (78%), mas muito menos planos de poupança-reforma (15%), seguros de vida (13%), planos de poupança em ações (11%), ativos em criptomoedas ou ativos virtuais (3%). Algumas delas declaram não estar suficientemente informadas. No fim das contas, são mais as mulheres que se encontram em situação de fragilidade financeira, pois o futuro não foi suficientemente antecipado e protegido.

Sibylle Le Maire e Françoise Neige consideram essa constatação problemática, pois os indivíduos vivem em média 10 anos a mais na França – e as mulheres, ainda alguns anos a mais que os homens. 70% das mulheres temem receber uma pensão de aposentadoria insuficiente (contra 57% dos homens). Algumas estão dispostas a reduzir seu padrão de vida, encontrar um trabalho complementar ou até mesmo usar suas economias. Empresas e gerentes têm um papel fundamental a desempenhar na conscientização e formação de suas colaboradoras: “Em workshops, acompanhamos jovens e mulheres a se libertar para falar de dinheiro sem tabu. Os homens o fazem com mais naturalidade”, afirma a diretora da Natixis Wealth Management. “As coisas estão mudando. Mais e mais mulheres procuram se informar ou já estão cientes, pois precisam gerenciar um patrimônio que é fruto do seu trabalho: tiveram acesso a cargos de gestão, foram criadoras de empresas, cederam projetos, etc. Mas, para todas as outras mulheres, uma grande parte do caminho ainda precisa ser percorrida. Esses fenômenos culturais levam tempo.”

Segundo o Barômetro, a situação piora com o passar dos anos. Desde as primeiras escolhas de carreira, as mulheres são menos atentas ao salário. Consequentemente, elas têm menos poupança e se sentem menos preparadas que os homens para fazer seu dinheiro render. As desigualdades econômicas e financeiras entre homens e mulheres continuam a aumentar ao longo do tempo, culminando em uma situação de fragilidade para as mulheres na aposentadoria, apesar de viverem mais tempo. “Não é uma fatalidade, é uma construção social que pode ser desfeita”, conclui Sibylle Le Maire. É importante tomar consciência dos limites culturais impostos por si e pelos outros, não delegar esses assuntos a terceiros e dedicar mais tempo a eles para dominar todos os seus mecanismos.