12/5/1927

NOMEAÇÃO DA DIRECÇÃO INTERINA

21/6/1927

APROVAÇÃO DOS ESTATUTOS DE FUNDAÇÃO

29/7/1927

OBTENÇÃO DE ALVARÁ (GOVERNO CIVIL)

COMPOSIÇÃO DA  DIRECÇÃO INTERINA

(entre 12/05/1927 e 05 /08/1927)

EDUARDO REIS REBELO – Presidente

JOÃO JOAQUIM VICENTE JR. – Vice-presidente

JOSÉ CARDOSO – Tesoureiro

HUMBERTO PACHECO BOTELHO – 1º Secretário

ÁLVARO PIMENTA DOS SANTOS – 2º secretário

PRIMEIROS JOGADORES INSCRITOS NA ASSOCIAÇÃO DE FUTEBOL PELO

CLUBE DESPORTIVO SANTA CLARA – 16 DE NOVEMBRO DE 1927

Oriundos do Santa
Clara Foot-ball Club:
António Andrade
António Ferreira
António Raposo
António São Bento
António Sousa
Jacinto da Câmara
  Jacinto Ferreira
João Raposo
José Ferreira
Manuel de Sousa
Manuel Ferreira
Marcelino Duarte
 
Novos (que não passaram
pelo Santa Clara Foot-ball
Club ou pelo Sport Club
Santa Clara):
António dos Santos
António d’Almeida
Augusto Vieira
João Botelho
  Mais tarde, depois de já
terem representado o
Sport Club Santa Clara:
António Gomes
Jaime da Costa
José Salgadinho
José Serrão
lUÍS fERREIRA
MANUEL DIAS
MARIANO JOAQUIM

Por fim, em Junho de 1931, após o Sport Club Santa Clara ter suspendido a sua actividade, com excepção de Manuel de Castro Azevedo(Talefa) todos os seus restantes jogadores passaram a representar o Clube Desportivo Santa Clara.

 

 

 

Pré-história e antecessores

 

O Clube Desportivo Santa Clara, cuja consolidação e engrandecimento teve por base a forte identidade e bairrismo dos humildes habitantes do lugar que lhe deu o nome, Santa Clara, um antigo núcleo piscatório a partir de meados do século XIX transformado em bairro operário, localidade que só recentemente (a 09 Outubro de 2005 foram eleitos os primeiros Órgãos Autárquicos) foi elevada a freguesia, é o mais representativo clube de futebol dos Açores.

Consequência de um processo com vários epicentros e que se alongou por mais de uma dezena de anos, o CDSC remete a sua mais remota origem para um fenómeno sócio desportivo que, iniciando-se por volta de 1917, teve o seu apogeu durante os anos de 1920 e 1921 (após a saída do contingente americano acantonado no “Campo Açores”, o auge da disputa dos “Campeonatos de Santa Clara”, competição local em que participavam equipas em representação de algumas das várias “lojas” do então bairro de Santa Clara), acabando por se tornar no natural herdeiro de dois outros “Santa Clara”; o “Santa Clara Foot-ball Club” e o “Sport Club Santa Clara”, ambos antes dele também filiados na Associação de Futebol de Ponta Delgada.

 

A primeira Direcção do Clube Desportivo Santa Clara foi eleita por aclamação a 12 de Maio de 1927, e, passado pouco menos de um mês, a 21 Junho de 1927, em Assembleia-geral para o efeito convocada, reunião magna que foi presidida pelo Tenente João Joaquim Vicente Jr., a novel colectividade viu aprovados os seus Estatutos de Fundação.

O processo de constituição do CDSC culminou a 29 Julho de 1927, com a concessão pelo Governo Civil de Ponta Delgada do respectivo alvará, documento que levou a chancela do Governador Civil de então: Major Abel d'Abreu Sotto Mayor.

 

 Nascimento e primeiros passos

 

Ficou assim constituída a primeira Direcção do Clube Desportivo Santa Clara:

 

Presidente – Capitão Eduardo dos Reis Rebelo 

 

Vice-presidente – Tenente João Joaquim Vicente Jr. 

 

1º Secretário – Humberto Pacheco Botelho

 

2º Secretário – Álvaro Pimenta dos Santos

 

Tesoureiro - José Cardoso

 

Vogal - Ivo José Custódio

 

Delegados à AFSM: Simeão Inácio Costa, Ernesto Ventura Macedo e António Sousa Jr.  

                                  

Pouco depois de completo o processo de constituição, a 6 de Agosto de 1927, o CDSC solicitou a sua inscrição na "Associação de Foot-ball de S. Miguel", ensejo que só lhe foi concedido cerca de três meses depois.

A 20 de Novembro de 1927, já filiado na AFSM e tendo como adversário o Clube União Micaelense, o CDSC efectuou o seu primeiro jogo oficial.

Compunham a primeira equipa do Clube Desportivo Santa Clara os seguintes 14 atletas:

 

Efectivos

António Andrade, António Raposo (Pica-Pau), Jacinto da Câmara, João Raposo, António Gomes (Americano), Manuel Dias, José Ferreira (Salavanca), António Sam Bento, Manuel Ferreira, José Serrão, Manuel de Sousa (Garalha);

 

Substitutos

António Botelho, António de Sousa e Marcelino Duarte.

O vermelho e branco, embora inicialmente em listas horizontais, foram desde o primeiro momento as cores representativas do CDSC, constituindo o seu original emblema (Art.4º dos estatutos de fundação do CDSC; 21 Junho de 1927) um leão vermelho sobre uma bola, em campo branco.

 

Oito décadas na liderança do futebol micaelense

 

A década de 30 foi de grande importância na afirmação do Clube Desportivo Santa Clara, contribuindo extraordinariamente para a grandiosidade com que a colectividade chegou ao século XXI: Em 1930, início de um ciclo desportivo memorável, o CDSC ganha o seu primeiro título (Campeão da LDM “Liga Desportiva Micaelense”); a 31 Janeiro de 1935 inaugura oficialmente (já lá estava instalado desde Novembro de 1934) aquela que ainda hoje é a sua sede, considerada então a melhor sede de um clube de futebol nos Açores; em Maio deste mesmo ano aventura-se a outra façanha, e torna-se no primeiro clube de futebol açoriano a deslocar-se a Portugal, digressão durante a qual defrontou, entre outros, o Sport Lisboa e Benfica; em 1936 a celebração do primeiro aniversário da nova sede constitui um grande acontecimento, com repercussões que chegam aos dias de hoje; ainda durante a década de 30 sagrou-se sete vezes consecutivas Campeão da AFSM (1930/31 até 1936/37) obtendo um recorde ainda hoje por igualar. Com apenas 10 anos de existência, já então o CDSC se posicionava, com destaque, na liderança do futebol micaelense.

Durante as épocas 1942/43, 1943/44 e 1944/45 a AFSM interrompeu a sua actividade. Este facto, assim como outras consequências dos últimos anos da II Grande Guerra, voltaram a relegar o CDSC para patamares desportivos mais humildes, quase idênticos aos dos seus primeiros três anos de existência. Na década de 40, só em 1949 o CDSC volta a saborear os louros da vitória no campeonato.             

Nas três décadas seguintes; 50, 60 e 70, muito embora sem nunca voltar a atingir o nível conseguido na década de 30, o CDSC impõe-se de novo com enorme destaque, conquistando 17 dos 33 campeonatos disputados entre 1949 e 1982 (mais do que o somatório dos títulos ganhos pelos seus adversários todos juntos).

Foi na transição da década de sessenta para a de setenta, entre a época de 1968/69 e a de 1971/72, que o CDSC obteve a sua segunda melhor série de campeonatos consecutivamente ganhos (4), acrescentando assim ao seu recorde de 1930/37 o igualar da segunda melhor série deste tipo, obtida entre as épocas 1924/25 e 1927/28 pelo Clube União Sportiva.

Só nos anos oitenta o CDSC iniciou o seu percurso nos “Nacionais”, conseguindo, a par da sua longa e relativamente modesta participação na “III Divisão Série E”, criar um núcleo de formação futebolística com adequada orientação técnica (Departamento de Formação Juvenil), “viveiro” por onde, entre muitos outros, passou “Pauleta”. A par disso, a década de oitenta foi também um período de valorização e consolidação patrimonial; em 1984 são dados os primeiros passos para a aquisição dos 21.000m2 de terreno em São Gonçalo, em 1986 tem inicio a construção do “Complexo Desportivo”, e, volvido pouco tempo, o CDSC adquiriu a sede que desde 1934 já ocupava. No decorrer da época desportiva 1986/87, com um plantel que incluía significativo número de atletas oriundos dos escalões de formação, o CDSC ascendeu pela primeira vez à II Divisão, participando durante a época seguinte, integrando na Zona Sul, no respectivo campeonato.

Na última década do século XX, depois de uma rápida e bem sucedida passassem pela “Série Açores” (com um plantel muito jovem, de novo recheado de atletas oriundos dos escalões de formação do clube) o CDSC ascendeu quase meteoricamente até ao patamar mais elevado do futebol português: em 1995/96 foi Campeão da “Série Açores” subindo à 2ª Divisão (B); em 1996/97 foi o segundo classificado da sua zona na 2ª Divisão (B), falhando por muito pouco outra subida; em 1997/98 ganhou a Zona Sul, foi Campeão da 2ª Divisão (B) subindo à 2ª Divisão de Honra; e em 1998/99 chegou, pela primeira vez, à 1ª Divisão. Na época seguinte (1999/2000) o CDSC regressou de novo à 2ª Divisão de Honra.

Com a viragem do século, não obstante os "avisos à navegação" e as já visíveis consequências do percurso delineado, não foi efectuada a correcção de rumo sobretudo no que ao controlo e gestão das contas do clube dizia respeito. Futebolisticamente voltou a resultar: em 2000/01 o CDSC foi Campeão da 2ª Divisão de Honra e ascendeu novamente à I Liga; em 2001/02 e 2002/03 o CDSC conseguiu manter-se entre "os grandes", mas tudo isso para, em 2003/04, regressar de novo à 2ª Divisão de Honra, patamar onde, felizmente, se tem conseguido manter, apesar das drásticas consequências da tão forçada quanto efémera glória.

Nesta segunda década do século XXI volta a acender-se a esperança de uma mudança de paradigma: sanear o CDSC, reequilibrar económica e financeiramente o "Universo Santa Clara" procurando mantê-lo nos patamares desportivos a que habituou os seus sócios e simpatizantes, é o grande desafio que se coloca ao actual grupo dirigente do CDSC (e da sua SAD), clube que, apesar de todas as vicissitudes dos últimos tempos, continua, sem nenhum tipo de dúvidas, O MAIS REPRESENTATIVO CLUBE DE FUTEBOL DOS AÇORES.