A vice-presidente do Governo e ministra das Finanças, María Jesús Montero, impediu que Cristina Herrero, presidente cessante da Autoridade Independente de Responsabilidade Fiscal (AIREF), apresentasse o seu balanço de gestão antes de deixar o cargo. Herrero não conseguiu comparecer perante a própria ministra nem perante a Comissão de Finanças do Congresso dos Deputados, apesar das suas tentativas e da relevância do órgão.
Fontes do organismo independente confirmaram que Herrero procurou informar sobre a sua gestão antes da sua partida, mas os seus pedidos não obtiveram resposta de Montero nem da sua equipa no ministério, evidenciando uma falta de comunicação oficial.
A AIREF, um organismo conhecido pelas suas posições críticas ao Governo de Pedro Sánchez em questões como a falta de transparência ou a ausência de orçamentos gerais do Estado nos últimos anos, também não obteve resposta do Congresso. O pedido formal de Herrero para comparecer perante a Comissão de Finanças ficou sem qualquer resposta formal ou agendamento.
Cristina Herrero, que se despediu recentemente dos seus colegas na instituição, lamenta profundamente não ter tido a oportunidade de explicar publicamente a sua gestão e as suas previsões para a nova etapa que se inicia no organismo supervisor, deixando um vazio de transparência na transição.
Por outro lado, María Jesús Montero apressou-se a propor Inés Olóndriz, sua amiga e colaboradora no Ministério das Finanças desde 2020, onde ocupava o cargo de secretária-geral de Financiamento Autonómico e Local, para a presidência da AIREF. Esta rápida nomeação levanta questões sobre os critérios e a celeridade do processo.
Esta nomeação gerou o repúdio do Partido Popular. Alberto Nadal, secretário económico do PP, alertou que se trata de “mais um exemplo de como o Governo, através da política, invade a independência dos órgãos reguladores e destrói a sua credibilidade”, criticando a politização de uma entidade independente.
A proposta de Montero está agora em análise e a palavra final sobre a nomeação caberá à Comissão de Finanças do Congresso dos Deputados, que deverá aprová-la por maioria. Curiosamente, é a mesma comissão que ignorou os pedidos de Herrero para prestar contas sobre a sua gestão e os desafios pendentes após o seu mandato, criando um contraste notável entre as prioridades da ministra e as oportunidades de fiscalização.
